Dia desses, após findar minha tediosa rotina diária (o que sempre me pareceu um pouco pleonástico), sentei-me no sofá, tirei os sapatos e peguei algo para beber, não necessariamente nessa ordem. Liguei a TV. Primeira: A música irritante de chamada do JN. Por Deus, um dia eu ainda vou ser um Roberto Marinho e vou proibir essas vinhetas. Mas enquanto meu glorioso futuro livre de vinhetas é utópico, prossigo assistindo, na expectativa de ver algo além de desastres, futebol (que é o que chamam de "esportes"), dicas de moda e comentários pós-matéria dignos de vergonha alheia.
Segunda: Lá pelas tantas, notícia bombástica (e olha que nem era dia 11): "Senhor de 63 anos de idade é preso por porte ilegal de êxtase (até agora não entendi o porquê do ilegal, se todo porte é ilegal) . Até aí tudo bem, droga existe por todo lugar, um traficante a mais não altera de forma alguma a nossa vasta compreensão de mundo. Mas (malditos redatores), então foi que dona Bernardes leu a informação crucial no seu televisor-guia (o labrador dos âncoras): "Ao ser flagrado com os comprimidos, o senhor de idade (bras. pop.: velho) declarou que pensava que os tais comprimidinhos fossem viagra. Bendita declaração.
Silêncio constrangedor. Fátima vermelha. Olhos lacrimejando. Três sintomas que precedem o as três palavras que formam o mártir dos telejonalistas: Ataque de risos. Recorreram à única solução disponível: Comerciais. Após o breve intervalo, Fátima já estava recomposta, porém o sangue ainda insistia em permanecer nas bochechas. Assim prosseguiram com as desgraças, mas sem os comentários pretendentes ao posto de engraçados, geralmente sem sucesso.
Malditos redatores.
P.S.: Só imaginem o quão alucinantes eram as relações do senhor. Acho que foi o que dona Bernardes imaginou.
0 comentários:
Postar um comentário